ORALIDADE E ESCRITA: metaplasmos na produção textual de alunos de oitavo ano do Ensino Fundamental de escola pública de Amarante-MA.
Oralidade, Metaplasmos, Escrita, Variação linguística.
A aquisição da escrita é um processo lento e gradual. No início, é comum que o aluno se apoie na oralidade, fazendo inferências da língua falada para a escrita, por não compreender a distinção entre a língua falada e a escrita - fonema e grafema. No entanto, torna-se preocupante quando o aluno chega ao final do Ensino Fundamental sem ter desenvolvido adequadamente a consciência fonológica, resultando na grafia das palavras exatamente como as pronuncia, fenômeno que pode ocasionar metaplasmos. É nesse contexto que se insere a
presente pesquisa, cujo objetivo principal foi analisar a ocorrência de metaplasmos na escrita de alunos do oitavo ano do Ensino Fundamental de escola pública de Amarante-MA, decorrentes da transposição da fala para a escrita. A pergunta norteadora da pesquisa é: qual é a ocorrência de metaplasmos na escrita de alunos do oitavo ano do Ensino Fundamental de uma escola pública de Amarante-MA, decorrentes da transposição da fala para a escrita? A hipótese inicial é de que a compreensão da distinção entre linguagem oral e escrita permite
aos alunos produzir textos livres de traços da oralidade. Quanto à metodologia, adotou-se uma pesquisa de abordagem qualitativa de cunho etnográfico, por ter sido realizada em campo durante o segundo semestre de 2025. O corpus de análise consiste em fragmentos de produções textuais dos alunos colaboradores, em dados de entrevistas semiestruturadas realizadas com os professores e em registros de observação no diário de campo. Para a construção do arcabouço teórico, foram utilizados estudos de autores como Bortoni-Ricardo (2004, 2005), Bagno (2007, 2015) e Ferrarezi Jr. (2014), entre outros que abordam a Sociolinguística Variacionista e sua relação com o ensino de língua materna. Além disso, esta pesquisa fundamenta-se nas contribuições de Marcuschi (2010), Fayol (2014), Faraco (2012) e Fávero (2000), entre outros que discutem a relação entre fala e escrita. Os resultados apontam que os alunos têm dificuldades em discernir a diferença entre fala e escrita; por essa razão, escrevem muitas palavras da forma como falam. Nos textos analisados, foram encontrados diversos fenômenos fonético-fonológicos (metaplasmos), tais como acréscimos, supressões, substituições e transposições. Verificou-se, que parte desses fenômenos decorre do desconhecimento da diferença entre fala e escrita, enquanto outros se relacionam ao grau de monitoramento linguístico dos alunos no momento da produção textual. Os professores colaboradores reconhecem que os alunos têm dificuldades para escrever como é esperado, no entanto, nem sempre intervêm diante dos erros de escrita, e a maioria das intervenções consiste apenas em apresentar a forma correta de grafar a palavra, não havendo espaço para a
explicação da diferença entre os dois códigos ou para a discussão sobre variação linguística. Os resultados desta pesquisa podem contribuir para o ensino da língua escrita, auxiliando professores na elaboração de estratégias mais eficazes para que os alunos superem essas dificuldades e escrevam de acordo com a norma-padrão. A relevância da pesquisa se dá por poder contribuir com o trabalho do professor em relação ao ensino da língua portuguesa, principalmente da escrita.