A TEIA CÓSMICA DO XAMÃ: SENTIDOS DO SONHO VIVO NO ARTIVISMO VISUAL DE JAIDER ESBELL
Jaider Esbell; artivismo; cosmologias indígenas; perspectivismo ameríndio; arte indígena contemporânea.
Esta pesquisa investiga os sentidos do sonho vivo no artivismo visual de Jaider Esbell, tomando como corpus as obras A conversa das entidades intergalácticas para decidir o futuro universal da humanidade (2021), A visita aos ancestrais (2021) e Nudez da alma (2020). Partindo do diálogo entre Davi Kopenawa, Ailton Krenak, Antônio Bispo dos Santos, Jaider Esbell e o perspectivismo ameríndio de Eduardo Viveiros de Castro, o trabalho demonstra que a arte indígena contemporânea não pode ser reduzida a uma produção estética desvinculada do modo de vida de seus povos. Ao contrário, evidencia-se que ela se constitui como prática cosmológica, política e espiritual, atravessada por memória ancestral, corporeidade, grafismos e oralidade, em um processo de contracolonização. Na primeira parte, discutem-se as cosmologias indígenas, a comunicação ancestral, a relação entre espíritos, florestas e humanos e a necessidade de deslocar o olhar eurocêntrico para compreender mundos outros. Na segunda, analisa-se a arte indígena contemporânea como poíesis viva, ressaltando a centralidade do corpo, dos grafismos, das homologias entre artes plásticas e literatura e a consolidação do artivismo como gesto estético e político. Na terceira parte, a leitura das três pinturas de Jaider Esbell evidencia uma visualidade em que linhas, cores, formas e símbolos atualizam o imaginário de seu povo, rompem fronteiras entre real e imaginário e convidam o observador a participar de uma experiência de confluência entre arte e existência. Conclui-se que o sonho vivo, na obra de Esbell, não se apresenta como fuga do real, mas como uma dimensão constitutiva da vida, capaz de reinscrever a arte como linguagem de sobrevivência coletiva, de reencantamento do mundo e de afirmação dos saberes originários.