RETEXTUALIZAÇÃO COMO ESTRATÉGIA NA PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PARA A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: O CASO PÕOCATIJI
Educação Escolar Indígena. Povo Krikati. Retextualização. Materiais Didáticos. Interculturalidade.
Esta dissertação investigou os desafios da Educação Escolar Indígena no Brasil, com foco na produção de materiais didáticos que articulem saberes tradicionais orais às demandas da escola formal. O estudo analisa a experiência do povo Krikati (MA) na concepção do livro Põocatiji: Cantos Krikati (2024), Livro do Professor, dirigido à Educação Infantil — crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses — e resultante da parceria entre a Associação Põocatiji da Aldeia Jerusalém (APAJE), situada na Terra Indígena Krikati, no Maranhão, e o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Imperatriz. O objetivo geral foi investigar o processo de retextualização presente na elaboração dessa obra. Teoricamente, o trabalho fundamenta-se na Educação Libertadora de Freire (2021) e nos estudos de letramento e retextualização de Marcuschi (2001), Rojo (2012) e Kleiman (2016), compreendendo a retextualização não apenas como exercício linguístico, mas como estratégia pedagógica decolonial voltada ao fortalecimento da identidade Krikati. Metodologicamente, trata-se de um estudo de caso qualitativo, com análise temática de conteúdo (Bardin, 2016). Como resultado e Produto Técnico-Tecnológico, apresenta-se o e-book Imperatriz Indígena: Cosmovisão Krikati em Quadrinhos e Contos, recurso didático específico e intercultural voltado à efetivação da Lei nº 11.645/08. O material foi elaborado a partir das narrativas orais do ancião João Krikati, morador da Aldeia Jerusalém, na Terra Indígena Krikati.