A síndrome hipertensiva da gestação (SHG) engloba um grupo de condições caracterizadas pelo aumento da pressão arterial, em valores iguais ou superiores a 140 x 90 mmHg, durante o ciclo gravídico-puerperal. A hipertensão gestacional ocorre quando essa elevação da pressão arterial é identificada até a 20ª semana de gestação, sem proteinúria significativa ou sinais de lesão de órgãos-alvo. Por outro lado, a pré-eclâmpsia (PE) é identificada após a 20ª semana, e ocorre associada à proteinúria importante e/ou disfunção orgânica, como alterações renais, hepáticas, neurológicas ou hematológicas. O tratamento inadequado das desordens hipertensivas pode culminar em complicações graves e potencialmente fatais, dentre elas a eclâmpsia, a qual é definida pela ocorrência de crises convulsivas generalizadas não atribuíveis a outras causas, como insuficiência renal, síndrome HELLP, entre outras (ZUGAIB, 2023). No panorama mundial, a SHG é responsável por elevada morbimortalidade materno-fetal. A pré-eclâmpsia, em particular, é a segunda maior causa de óbitos maternos no mundo, de modo que 99% deles ocorrem em países de baixa e média renda, refletindo desigualdades no acesso e na qualidade da assistência pré-natal. Na conjuntura brasileira, o impacto é ainda mais expressivo, pois a PE corresponde a cerca de um quarto dos óbitos, constituindo-se como a principal causa de mortalidade materna no país (DAMASCENO et al., 2020; TINTORI et al., 2022). Contudo, é possível predizer o risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia por meio de escores, marcadores clínicos e laboratoriais. Entre os elementos clínicos, destacam-se os fatores de risco classificados em alto risco como histórico de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes tipo 1 ou 2, doenças autoimunes e os de risco moderado, como nuliparidade, idade materna acima de 35 anos, obesidade e condições socioeconômicas desfavoráveis. A presença de um fator de alto risco ou de dois moderados indica a adoção de medidas preventivas, como o uso de ácido acetilsalicílico em baixas doses, suplementação de cálcio e o acompanhamento mais rigoroso (KORKES et al., 2025). Ademais, o escore FullPIERS, ferramenta de predição de desfechos adversos maternos pela pré-eclâmpsia, é um instrumento gratuito, de fácil acesso e de simples aplicação, pois utiliza variáveis já rotineiramente pesquisadas durante o pré-natal, como idade gestacional, contagem de plaquetas e níveis séricos de creatinina. Dessa maneira, os profissionais de saúde podem identificar precocemente mulheres com maior probabilidade de desenvolver complicações. Todavia, essa ferramenta ainda é pouco empregada na prática 3 clínica cotidiana, em parte pela falta de informação dos profissionais de saúde (GUIDA et al., 2021). Tendo em vista essa problemática, a Rede Alyne, programa do governo federal criado em 2023, visa ao aprimoramento de estratégias de promoção de melhores condições de saúde para o binômio mãe-feto. Nesse cenário, acerca das síndromes hipertensivas na gravidez, destaca-se a importância da atuação equipe multidisciplicar de Atenção Básica, composta por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde, que deve captar a gestante o mais brevemente possível, sobretudo no primeiro trimestre de gravidez (RIBEIRO et al., 2020). Dessa forma, é fundamental que haja fortalecimento do pré-natal para a detecção precoce de fatores de risco, diagnóstico e encaminhamento adequado para centros especializados nos casos de maior complexidade.
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