LITERATURA E ARTE AFRO-BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA EM UM DIÁLOGO INTERARTES NO ENSINO: O NEGRO COM O SOL NA CABEÇA SOBRE PAPEL PARDO, DE GEOVANI MARTINS À MAXWELL ALEXANDRE
Arte afro-brasileira. Diálogos interartes. Letramento. Goevani Martins. Maxwell Alexandre.
Esta dissertação estuda os diálogos interartes entre a literatura e a arte afro-brasileira contemporâneas a fim de formular práticas de abordagem desses diálogos no ensino. Assim, parte-se da questão: como dispor de estratégias de letramentos diversas para integrar obras de arte de autoria negra no ensino na perspectiva dos diálogos interartes? O trabalho se fundamenta em uma noção abrangente de letramento e nos estudos interartes e elege como objeto de estudo a arte afro-brasileira, expressa no corpus que reúne, na literatura, a obra O sol na cabeça, livro de estreia de Geovani Martins que apresenta contos que versam sobre a vida de moradores das favelas cariocas, e, na pintura, a série Pardo é papel, do pintor carioca Maxwell Alexandre. O objetivo da pesquisa é construir práticas pedagógicas interartes que focalizem os diálogos e relações entre obras de arte de autoria negra como forma de conjugar letramentos de caráter artístico e social. Para isso, os objetivos específicos são a) analisar a relação entre a prosa de Geovani Martins em O sol na cabeça e a pintura de Maxwell Alexandre em Pardo é papel a fim de refletir sobre práticas artísticas negras na contemporaneidade; b) elaborar práticas pedagógicas que mobilizem as relações interartes encontradas na análise em sala de aula; c) realizar curso de extensão em turma do ensino médio da rede pública do município de Imperatriz – MA que efetive as práticas pedagógicas interartes formuladas; d) refletir sobre as experiências do curso de extensão a fim de obter maior compreensão de como práticas de ensino interartes são recebidas na escola. Assim, o trabalho se inicia com uma contextualização e revisão teórica dos estudos interartes que são depois relacionadas a estudos em letramento, com o objetivo de construir um repertório metodológico para práticas interartes no ensino, com base em Clüver (1997, 2006, 2011), Kleiman (2016), Moser (2006), Nitrini (1997), Soares (2009) e Street (2014). Em seguida, são estudadas as tentativas de historicização e definição da literatura e da arte afro-brasileira e discute-se a presença do artista negro na literatura e no sistema da arte contemporânea brasileira a partir de Conduru (2007), Dossin (2008), Mattos (2020), Menezes (2018, 2022), Munanga (2019) e Resende (2008, 2010). Na análise, são introduzidos os artistas que constituem o corpus, suas carreiras e obras, depois, cada trabalho é analisado detalhadamente, partindo de considerações gerais para leituras de textos específicos. Por fim, são explicitados os diálogos possíveis entre os dois trabalhos, identificando como as obras de Martins e
Alexandre se cruzam não apenas no universo temático que expressam, relacionado à vivência negra nas periferias cariocas, mas nas estratégias formais, que buscam reconfigurar experiências de tensionamento identitário por meio da abertura oportunizada pela escrita ou resguardar a integridade heterogênea dos indivíduos pelo recurso da opacidade, na arte. A etapa do estudo de caso da aplicação do curso de extensão na escola se encontra atualmente em desenvolvimento, por isso o capítulo dos resultados da pesquisa de campo ainda não aparece nessa versão, uma vez que as atividades ainda não estão finalizadas.