AS REPRESENTAÇÕES DA MORTE NOS CONTOS DE CLARICE LISPETOR: dimensões do ser-para-a-morte e o desvelamento da existência
Clarice Lispector. Morte. Ontologia. Existência. Conto.
Esta pesquisa analisa a representação da morte em contos selecionados das obras Laços de Família (1960) e A Legião Estrangeira (1964), de Clarice Lispector, buscando compreendê-la como uma experiência ontológica e estética. O objetivo é investigar de que maneira a morte provoca rupturas na existência das personagens, observando como elas e a própria narrativa lidam com a finitude. A pesquisa adota uma perspectiva fenomenológico-hermenêutica, fundamentada na ontologia de Martin Heidegger (2015) e na crítica literária de Benedito Nunes (1989). Os resultados foram organizados em três eixos de análise e demonstram que a morte se manifesta na dimensão ontológica, nos contos A quinta história, A menor mulher do mundo e O ovo e a galinha; na dimensão epifânica, em Amor, O búfalo e Feliz aniversário; e na dimensão física, em Viagem a Petrópolis e Os obedientes. Como Produto Técnico-Tecnológico, a pesquisa resultou no website O Tear da Morte, voltado ao letramento literário sobre a finitude. Conclui-se que a morte constitui um elemento central nas narrativas analisadas, deslocando as personagens de uma existência marcada pela impropriedade para um processo de desvelamento de si.